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the clock forgets to tick and i the same

003. Bombinha de ar

Sentei na minha cama segurando forte a minha bombinha de ar.

           Faziam anos que eu não tinha ataque de asma, muito menos algum problema com respiração, mas hoje, logo hoje eu resolvi passar mal. Passei a tarde inteira na faculdade ouvindo boatos sobre um policial morto. Algumas pessoas vieram fazer perguntas mas eu não sabia de nada, mas a única certeza que eu tinha era por quem ele havia sido morto.

           Mesmo com tudo isso acontecendo as pessoas estavam animadas para uma festa a fantasia que iria acontecer hoje à noite. Ela tinha sido anunciada de manhã e todos da faculdade estavam convidados, mas eu não iria. Ainda sentia medo, não queria sair de casa com Jimin à minha espera, pronto para fazer o que quiser comigo e com minha família.

O meu corpo doía, estava fora do meu estado normal, costumava achar que era forte e que conseguia lidar com as coisas. Estava totalmente errada.

           — Querida — Minha mãe disse entrando no quarto. A olhei e escondi minha bombinha de ar de forma discreta. Não falei nada. — Alicia me ligou perguntando se você ia pra um tal festa esse noite.

           Respirei fundo, deitei na cama colocando um travesseiro em minha barriga, não queria que ninguém soubesse de nada. Peguei o celular que Jimin me deu e não vi nenhuma chamada, nada. Ninguém tinha meu número além dele.

           — Sei que está com medo de ir — Falou, sentou ao meu lado na cama. Olhei pro lado, estava cansada de tanto ouvir eles falando que eu estava segura agora, e que tudo que eu passei não vai se repetir. — Mas eu gostaria que você voltasse com sua vida normal, ou parte dela.

           — O meu normal não é assim — Falei. — Em festas, bares. Resolvo casos, não crio um. Não é de minha escolha agir assim.

           — Quero que vá a festa.

           — O que? Eu não vou a lugar nenhum.

           Assim que terminei de falar o meu celular vibrou. O olhei jogado na cama, minha mãe também parecia curiosa para saber o que era.

           — O que houve? — Ela perguntou.

           — É… É o Jimin.

           — O que ele quer? — Pareceu animada.

           Em um mensagem enviada a segundos atrás havia escrito:

Meninas más não vão pro céu.

           Olhei em volta, o que ele quis dizer com isso?

           — Ele… Ele só falou que estava desejando minha melhora — Menti.

           — Jimin é realmente muito gentil.

           Novamente o celular vibrou, outra mensagem de Jimin:

Sua mãe é muito gentil, agradeça-a.

           Levantei da cama novamente, corri até a janela do meu quarto. Abri de forma rápida e coloquei minha cabeça para fora, o vento forte entrou no meu quarto, as cortinas se mexiam de forma igual aos meus cabelos. Não encontrei nenhuma forma semelhante lá fora, apenas algumas pessoas conversando, crianças brincando, como de costume. Estava com frio, como ele sabia de tudo isso? Como ele sabia o que eu estava falando?

           — Não quero que fique em casa por medo — Falou minha mãe. — Enfim, se quiser ir a festa tem minha permissão, seu pai não precisa saber de tudo.

           Sai da janela a fechando.

Minha mãe saiu do quarto, percebi que ela tinha deixado um copo com suco, voltei pra minha cama. Não queria sair, queria ficar aqui onde me sinto segura, mas depois disso tudo tenho medo de ficar no mesmo lugar por tanto tempo.

           Deitei abraçando meu próprio corpo, fiquei olhando para a janela, era como se estivesse alguém me vigiando a todo o momento do dia. Não queria me sentir com medo, muito menos presa. Esse não era meu foco agora, a única coisa que me impedia de entregar esses desgraçados é a segurança de pessoas próximas a mim.

           Meu celular começou a tocar, era um número desconhecido. Atendi.

           — Em vinte minutos eu passo aí — Uma voz masculina disse, sentei na cama, não a reconhecia de canto algum. — Alô? — Disse cantando. — Você me ouviu?

           — Quem é? — Perguntei.

           — Essa noite sou seu motorista particular. — Sorriu. — Trabalho pro Jimin, eu estou indo te buscar porque ele quer te encontrar na festa.

               Senti a raiva me consumir.

           — Fale para ele que eu não vou a canto algum — Praticamente gritei ao falar. — E que ele enfie toda essa droga…

           — Opa, eu não vou dizer isso — Falou me interrompendo. — Eu não trabalho com imperfeições, então por favor, temos na mira alguém importante pra você, que, caso coopere, vai continuar viva.

           Não falei nada, fiquei tentando achar em minha mente quem poderia ser mas não vinha ninguém. Poderia ser qualquer um, alguém da minha família, um amigo, qualquer um!

               — Agora você tem… Dezesseis minutos — Continuou. — Espero te ver bonita para essa noite. O sinal abriu, tenho que desligar.

           Disse e então a chamada foi finalizada.

           Estava terminando de amarrar meus cadarços quando minha mãe, gritando da sala, disse que o carro havia chegado. Olhei em volta, estava pronta para sair.

           Não tinha vestido nenhuma fantasia, apenas estava com um jeans rasgado nos joelhos, uma blusa preta, um casaco cinza e uma jaqueta jeans sem mangas por cima. Meu tênis era confortável, pronto para ser usado em uma corrida.

           Sai do quarto, minha mãe parecia feliz por eu estar saindo. Queria poder ficar em casa, estava frio e não tinha nenhuma estrela no céu por causa das nuvens que cobriam tudo. O capuz na minha cabeça impedia que a garoa me atingisse, entrei no carro sem ao menos olhar pro lado.

Conseguia ver mãos brancas e grandes, elas moviam-se sem fazer barulho, minhas mãos se encontravam em meu bolso, uma delas segurando forte a minha bombinha de ar.

           — Me mostre seu rosto, quero saber como você é pessoalmente — Falou o homem ao meu lado, ele tinha a voz grossa, mas falava sorrindo o que não me fazia sentir medo. Arrisquei olhar pro lado por um segundo.

           Consegui ver o mesmo concentrado na estrada, estava com só uma mão no volante, a outra ajeitava os cabelos, os colocando pra cima. Era branco e tinha um rosto fino. O sorriso era largo e satisfeito, mostrando os dentes.

           — Qual é, eu não faço o trabalho sujo desse grupo — Falou, senti seu olhar virando em minha direção. — Não precisa ter medo.

           — Não estou com medo.

           — Então por que não me olha?

           — Porque eu não quero nem ao menos ficar perto de você. Por que diabos acha que eu ia querer te olhar? — Falei, sentia a raiva me consumindo cada vez mais, era inevitável.

               — Tudo bem, Ellie.

           — Não fala meu nome.

           — De qualquer forma sou Hoseok, como eu disse, não faço parte do trabalho sujo mas eu também não tolero gracinhas — Falou ficando sério, estava começando a acelerar cada vez mais.

           — Não importa se está com pressa. Se você bater o carro vai ser bem pior — Falei, não queria morrer com esse cara. — Por favor, vá mais devagar.

           — Tem medo do perigo? — Disse se ajeitando no banco, colocou suas duas mãos no volante, senti o carro indo mais rápido ainda. — É assim que eu gosto.

           Me virei para ele, meu capuz caiu, tentei fazê-lo parar, não encostei um dedo nele mas gritei algumas vezes até que ele começou a desacelerar rindo de mim, todos pareciam se divertir com o meu medo, como se esperassem que eu pedisse piedade, mas eu não faria isso. Me encostei novamente no banco.

           — Que droga — Falei colocando minhas mãos em meu rosto. Não acreditava que estava passando por isso, era ridículo. Sacrificar meu bem estar pelo de outras pessoas parecia não valer tanto a pena.

           — Você é mesmo bonita — Me olhou e sorriu.

           Olhei para o mesmo, queria socar seu rosto. Mas apenas peguei o capuz do casaco e coloquei em minha cabeça. Não sabia o que Jimin queria, não sabia por que ele quis se encontrar logo nessa festa. A única certeza que eu tinha era que não iria acabar nada bem.

           Não falei nada até chegarmos.

           O carro parou na frente de algo que parecia ser uma fábrica abandonada, eu não sabia o que fazia as pessoas virem a um lugar como esse. Era como se todas as paredes estivessem a ponto de desabar. Desci antes de Hoseok, ele demorou um pouco, até que ouvi a porta sendo batida com força. O lugar estava cheio de pessoas e todas elas com fantasias, se não estivesse nessa situação acharia algo legal.

           Os passos de Hoseok pareciam ecoar em meus ouvidos, o acompanhei com os olhos até o mesmo parar ao meu lado, estava com o celular no ouvido. Parecia ter um corpo magro e esguio por baixo das roupas pretas, com a outra mão estava segurando uma máscara.

           Depois que terminou de falar ao celular, me olhando disse:

           — Se quiser eu posso arranjar uma dessas pra você — Ele sempre estava com um sorriso em seus lábios, era como se essa situação fosse algo super normal.

           — Não, obrigado. Não ter que olhar pra vocês já é o suficiente pra mim — Falei, o ouvi gargalhar ao meu lado.

           Me virei e então tirei minha bombinha do bolso, estava sentindo meu peito doer e minha respiração ficar mais e mais ofegante, odiava essa sensação. Deve ser toda essa pressão, estava com medo e doente. Guardei a bombinha sem usa-la, era ruim ficar tão exposta.

           — Dizem que asma passa com o tempo — Hoseok disse, o olhei, ele estava com um pirulito na boca. — Até os casos mais graves.

           — Eu também achava isso — Assumi. — Até a minha voltar.

           — Não precisa ficar nervosa, ninguém aqui hoje vai te machucar.

           — Eu acredito que pra você é fácil, já que é você quem mira, não quem é o alvo — Coloquei minha mão em minha barriga, estava voltando doer.

               — Eu trabalho com ordens — Hoseok falava, tinha medo de dizer que eu não me importava, e que nada do que ele pudesse dizer fosse me tranquilizar. — E eu não vou atirar em você se não estiver tentando me matar.

           — Esse não é meu medo.

           De longe vi uma moto vindo em alta velocidade, algumas pessoas saíram da frente correndo antes que ela pudesse passar. A moto parou na nossa frente, nela haviam dois garotos, ambos vestidos de preto, o que estava como garupa desceu e tirou seu capacete. Ele era lindo, sorriu assim que viu Hoseok, colocando o capacete no braço veio falar com o amigo, se pudesse olha-lo para sempre faria, mas por estar nesse meio eu, automaticamente, o odiava.

           Seus cabelos eram lisos e tinham um comprimento considerável. Quando ele os bagunçou consegui ver que não passavam da altura da orelha, e que na frente haviam algumas mexas verdes. Ele era alto e magro, estava sorrindo quando me viu.

           — Ellie? — Perguntou para Hoseok, os dois estavam me olhando. Pelo jeito eu era mesmo famosa entre eles. — Eles não mentiram…

           Não falei nada, olhei para frente, Jimin estava parado ao lado da moto, e ele era o único deles que usava um casaco amarelo. Seus cabelos agora estavam vermelhos como vinho, e seu rosto agora tinha um corte na bochecha.

           — Vamos, nós vamos entrar — Disse Hoseok, mexeu em algo na cintura. — Eu estou deveras animado para essa festa. — Deduzi que ele tinha alguma arma em sua cintura, todos deveriam ter.

           Ele e o outro garoto saíram andando na frente. Na porta da festa eles falaram com uns homens que pareciam ser os seguranças, vi eles entregando alguma coisa para os homens, logo depois receberam pulseiras. Apontando pra onde eu estava falaram alguma coisa e entraram na festa.

           — O que está fazendo parada aí? — Jimin perguntou. — Vamos, ande, eu não tenho a noite toda pra você.

           Andei sem ao menos olha-lo, queria socar seu rosto, acabar com o trabalho começado em sua bochecha. Senti meus olhos ficando pesados, assim como minha respiração, da porta conseguia ver a fumaça no ar e o número de pessoas que só parecia aumentar.

           Os seguranças me deram uma pulseira e uma para Jimin, que entrou comigo sem dizer nada, enquanto ele me guiava deixava suas mãos em minhas costas, tinha medo da sensação de perigo que o mesmo me passava. Juntamente com o mistério e a posição indefesa que ele me colocava.

           — Ellie! — Alguém gritou meu nome, olhei pro lado — Nossa, não achávamos que você iria vir! — Antoine disse vindo até onde eu estava, usava pulseira neon e também tinha tinta com o mesmo efeito no rosto.

           Meu coração estava batendo forte, Jimin se aproximou de mim e perto do meu ouvido disse:

           — Alguma gracinha e eu mato seu amigo.

           O olhei, antes que eu pudesse falar alguma coisa Antoine parou próximo de mim, na minha frente, o abracei, pensei em dizer alguma coisa como “sai daqui” mas tinha medo.

           — Tudo bem? — Perguntou. Concordou. — E você? — Se direcionou a Jimin, engoli seco. — Sou Antoine.

           — Sou Jimin.

           — Eu estou ocupada agora — Falei. Tentei parecer o mais descontraída que pude. Me aproximei de Jimin, segurei seu braço sentindo seus músculos, ele me olhou segurando o riso, passou sua mão esquerda por minhas costas de forma lenta até chegar em meu ombro. — Vim aqui pra encontra-lo.

           — Ah — Antoine disse entendendo exatamente o que eu queria. Sorriu com um olhar diferente. — Tudo bem, eu vou indo, depois nos falamos? A Flor está muito preocupada com você.

           — Falamos sim, com certeza.

           Ele balançou a cabeça ao som da música e depois se despediu, esperei ele se afastar para sair de perto de Jimin e continuar andando.

           — Eu adorei a encenação — Falou. — É muito boa nisso.

           — Em mentir? Prefiro que guarde seus elogios pra você — Falei. — E por que nós estamos aqui?

           — Bom, está acontecendo uma perseguição no momento, eu posso acabar me envolvendo com isso e preciso de um álibi.

           Desgraçado.

           — E o que isso me envolve? — Perguntei e cruzei meus braços.

           — Estar em uma festa onde tem várias pessoas e com a filha do xerife não é má ideia, não acha? Quem vai duvidar de mim? — Sorriu, andou um pouco. O lugar onde estávamos não tinham muitas pessoas, o lugar era bem maior do que eu achei.

           — Pra que armar tudo isso? Se você me fizesse concordar com toda mentira que inventasse eu teria que concordar, não é mesmo? — Falei o seguindo.

           — Mas todo trabalho que eu faço é perfeito — Jimin disse. Parou de andar.

           — Assim como matar aquele policial? — Perguntei.

           — Eu não faço esse trabalho — Disse. Olhou por cima do ombro.

           — Não é o que parece.

           — Eu te dei um aviso que tinha até hoje para decidir o que iria querer, mas eu não sou o único que manda aqui. Se eles querem dar um aviso prévio eu não faço muito mais do que obedecer.

           — Eles?

           — Quanto mais demora, mais pessoas morrem.

           — O que querem que eu faça? — Perguntei. — Eu não posso fazer tudo que me pedem, eu não passo da filha do xerife da cidade, a garota indefesa…

           — Não se cansou desse título? — Jimin se virou. A música estava alta muito mas de onde estávamos conseguia ouvi sua voz com clareza. — Garota indefesa, o título que quer levar?

           Não falei nada.

           — Não sei se você entende, mas concordando em nos ajudar você faz parte do nosso trabalho. Nunca mais vai se sentir indefesa, com medo ou ameaçada. Sem nada que possa te ferir, vai aprender como viver no mundo onde você manda.

           Sem medo…

           — Eu não vou trair meu pai.

           — Não precisa.

           — Por que eu?

           — Porque você foi escolhida, Ellie, poderíamos ter te matado, mas não, eles te deram uma chance. É tudo o que você precisa. Nos dê as informações que precisa e nós a daremos o que precisa.

           — Eu não preciso de nada.

           — Você quem sabe.

           Começou a andar. Por impulso o pedi que parasse.

           A ideia de voltar a ser uma pessoa normal era tentadora, não quero mais ser atingida por esses tiros, todo o meu medo me consumia. Se eu desse as informações que eles precisassem mas ao mesmo tempo conseguisse ajudar a polícia e encontrar todos eu não precisaria mais me preocupar.

           Sem me sentir indefesa, com medo ou ameaçada.

           — Eu topo — Falei. Respirei fundo apertando com força a bombinha no meu bolso. — Topo o seu acordo se me prometer que irá deixar minha família em paz e que nada de ruim vai acontecer comigo.

           — Não vou deixar ninguém encostar em você.

           Estendeu a mão para que eu apertasse, olhei seu rosto sério. Sua boca com o formato perfeito, e todo o medo que me passava.

           Ao apertar sua mão senti como se tivesse vendido minha alma para o diabo.

           Jimin me havia feito ficar boa parte da noite naquela festa, eles estavam em uns sofás velhos enquanto bebiam algumas cervejas. Não estava à vontade, não bebi nada que me ofereceram, apenas fiquei observando tudo. Mas nenhum deles parecia querer me ameaçar, V, como o garoto com as mexas preferia ser chamado, passou a noite falando comigo. Não respondia nada além do necessário, mas ele talvez estivesse tentando parecer amigável já que era provável que eu tivesse que trabalhar com ele daqui por diante.

           Alguém ligou para Hoseok o fazendo parecer preocupado. Ele, então, disse algo para Jimin que o fez ficar agitado, dizendo que precisávamos ir rápido, não falei nada apenas os segui.

           Já estávamos no lado de fora quando Hoseok disse do meu lado:

           — O V disse que pode deixar você em casa — Sorriu.

           — Achei que você fosse meu motorista particular por essa noite — Falei, era como se dele eu não conseguisse sentir medo. Ele sorriu alto, o que me fez soltar uma risada sem som.

           — Eu sou um homem de negócios — Disse. Levantou a garrafa de cerveja que estava em sua mão, a deixando um pouco longe do corpo e a admirando. — E eu acho que bebi muitas dessa, não quero te matar em um acidente de carro.

           — Nem se preocupe, eu… — Antes que eu pudesse terminar, a garrafa na minha frente foi explodida.

           Não tinha entendido o que havia acontecido até Hoseok me puxar para perto de si em um ato protetor, cobriu minha cabeça com seu corpo e correu junto a mim abaixado para trás de um carro.

           Haviam tentado atirar em nós.

           Me abaixei o máximo que consegui, meu corpo inteiro parecia ter entrado em choque. Hoseok permanecia próximo a mim, mas agora ele estava carregando sua arma, minhas mãos tremiam. Olhei pro lado e vi Jimin atrás de um carro, ele estava gritando alguma coisa que eu não conseguia entender no meio de tanto barulho de tiro. V permanecia atrás de outro carro, mas ele não parecia ter medo em ser atingido porque ele ficava em pé apenas mirando.

           Minha respiração começou a ficar ofegante, meu peito parecia queimar. Não conseguia falar nada, muito menos fazer alguma coisa. Hoseok gritava pedindo que eu ficasse abaixada, não sabia o que estava acontecendo comigo. Coloquei minha mão no bolso, minha bombinha não estava lá. Procurei em todos os bolsos mas não a encontrei, olhei em volta e a vi no chão, próxima a entrada.

           — Ellie? — Hoseok falava, o mesmo abaixou próximo a mim, no momento que ele fez isso, a janela do carro explodiu em vários caquinhos. — Ei, o que você tem? — Segurou meu ombro com força e me balançou.

           — O ar… — Falava com dificuldade. — Eu não consigo respirar.

           O mesmo parecia tão desesperado quanto eu, me soltou e então começou a procurar alguma coisa em meus bolsos, então percebi que era minha bombinha. Ficava repetindo com raiva “cadê… cadê…”. Fechei meus olhos por um momento, e foi quando senti sua boca se juntando a minha, voltei a olha-lo, o mesmo segurava meu rosto com força, então senti o ar de sua boca entrando na minha, tentando preencher algum espaço no meu pulmão. Quando ele tirou sua boca da minha me olhou como se esperasse que tivesse funcionando.

           — A bombinha — Falei cansada, por algum motivo eu ri. — Eu preciso…

           Hoseok me largou. O vi levantando, começando a correr em direção onde a bombinha se encontrava, os barulhos de tiro pareciam mais altos, meu coração parecia nem bater mais. Tive vontade de chorar, olhei pro lado e Jimin estava mais preocupado ainda, me olhou e voltou a atirar várias vezes seguidas.

           O garoto magro veio correndo e tentando se esquivar como podia dos tiros, estava sentindo meu corpo amolecer quando ele se jogou na minha frente, parou um segundo e então colocou a bombinha na minha boca.

           Era como voltar a vida. O ar voltou a circular em meu pulmão, tossi algumas vezes, estava com medo de morrer mesmo assim.

           Os tiros continuavam quando eu apaguei.

           Abri meus olhos e estava no meu quarto.

Era como se tudo o que havia acontecido fosse um sonho. Olhei pro lado, era quatro horas da manhã, não sabia como tinha vindo parar aqui, mas estava feliz em estar a salvo. Mexi meu corpo pro lado quando bati em algo, olhei pro lado e tinha um garoto deitado ao meu lado. Como eu não tinha visto antes?

Ele estava na ponta da cama, deitado em pouco espaço, e era difícil não reconhecer Jimin, seus cabelos vermelhos ajudavam muito. Sai da cama, não queria ficar deitada assim com ele. Procurei meu casaco, estava só de regata e a calça, não sabia como tinha vindo parar aqui, precisava de respostas.

— Jimin — O chamei, evitei falar alto, se meus pais estivessem dormindo não fazia questão em acorda-los. — Jimin, acorde.

Ele se mexeu na cama, pareceu assustado. Me olhou e sorriu breve, levantou da cama rapidamente.

— Como está? — Perguntou.

— Bem, o que houve?

— Você apagou e eu te trouxe pra casa depois de irmos no hospital — Falou.

— Por quanto tempo eu apaguei?

— Tempo suficiente pra ir no hospital sem ver.

— E o Hoseok? — Perguntei. — E o V?

— Estão em casa. Aqueles caras não vão mais te perturbar, agora está segura conosco, amanhã nós podemos conversar se quiser, sobre tudo que quiser saber.

Concordei. — Meus pais sabem que estamos aqui?

— Sua mãe entrou no quarto, por isso deitei ao seu lado. Mas ninguém viu eu trazendo você pra casa ou pro quarto.

Respirei fundo.

— Obrigado, e agradeça ao Hoseok.

— Com certeza ele vai ter um agradecimento — Sorriu. — Boa noite, Ellie.

— Vou abrir a porta pra você…

Ele sorriu e andou em direção a minha janela, a abriu e então a escalou, vi o sorriso em seu rosto e a forma como ele queria encarar a vida.

Sentia-me ligeiramente afetada por tudo isso, ainda tinha medo, mas tudo o que eu queria era provar pra mim que nada disso pode me afetar a tal ponto.

— Nos falamos amanhã, boa noite, Ellie.

O mesmo pulou do telhado até a arvore e começou a descer, olhei enquanto ele corria e desaparecia na noite.

           Fechei a janela e voltei pra cama. Onde o cheiro do perigo ainda era predominante.

bouquemare-riley:

-Depende, se alguém tiver horror a Hatsune, talvez você assuste. Nunca perca a esperança no Halloween! Vou ficar num corredor escuro e cantar a musiquinha do Freddy. Já tenho a cena toda bolada na cabeça. Ah, ela vai adorar!

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Eu acharia estranho e ao mesmo tempo engraçado se alguém se assustasse com a minha fantasia, adoraria que isso viesse a ocorrer. E mais tarde eu passo nesse corredor pra ver como está sua lista de vítimas. 

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bouquemare-riley-deactivated201 chats desculpe responder só hj ayegayge

youngblood-dana:

Ah, é? Então me dê um motivo para eu não chamar meu caçador para arrancar seu coração agora mesmo.·

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Porque primeiro isso é uma festa, odiaria estragar a alegria — ou trazer pra alguns — dos outros quando os eles tentarem me matar. E segundo, por que faria isso? Achei que estávamos nos divertindo julgando os detalhes da festa. 

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ambiguousparker chats olá uaheaueh melhor resposta que me veio a menta as 8 am

bouquemare-riley:

-Vou dizer isso a ela, vai ficar super contente!

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-Até agora está ótima. O buffet de comidas está tentando me seduzir, e eu não vejo a hora de assustar alguém!

Acho que ninguém se assustaria com minha fantasia, essa é a parte ruim de vir vestida de algo bem fofo. Mas eu adoraria te ver assustando alguém. E por favor, fale a sua mãe que na próxima vez adoraria ter a ajuda dela.

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bouquemare-riley-deactivated201 chats

HATSUNE MIKU -  初音ミク

Hatsune Miku é uma Vocaloid; A Hatsune Miku é retratada como uma menina de 16 anos de idade, com duas longas maria-chiquinha na cor verde-água. O nome da personagem vem da fusão das palavras em japonesas para “o primeiro” (初, hatsu), “som” (音, ne) e “futuro” (ミク,miku) soa como uma leitura nanori de “futuro” (未来, mirai), referindo-se a sua posição como a primeira Vocaloid da Crypton. De acordo com a Crypton, o nome escolhido foi para significar “o primeiro som do futuro”.  

nsparty não ficou bom mas né portia hatsune mik <3
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Portia Ventidius, apparently twenty years, call me if you want.
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